Detalhes: Fogareiro Portátil Spark da Azteq

por Eduardo Lemos 2 comentários

Você pode ficar uma eternidade sem tomar banho, anos sem escovar os dentes, sem cortar as unhas e o cabelo, mas não dá para ficar muito tempo sem se alimentar. Comer é para o homem, muito além dos prazeres do paladar, um ritual essencial para a manutenção de sua vida. Come-se de tudo, mas nem tudo é comestível na sua forma crua. Uma boa parte da culinária humana depende do processo de cozimento. Estudos feitos pela Universidade de Harvard apontam que nós humanos começamos a cozinhar os primeiros alimentos há 1,9 milhão de anos.  O advento desta prática foi extremamente importante para a história de nossos ancestrais, pois permitiu que eles expandissem suas dietas extraindo mais calorias dos alimentos. Surgiam os primeiros traços do nosso brasileiríssimo “arrozinho com feijão”.

Voltando aos dias de hoje, a magia das calorias infinitas ainda continua seguindo o mesmo roteiro; água, panela e fogo. O que temos diferente atualmente é a forma como obtemos calor para cozinhar os alimentos. Em um passado não muito distante a principal fonte de calor na culinária era proveniente da madeira na forma de lenha. Este método, embora muito eficiente, era bastante trabalhoso e provavelmente não seria capaz de atender as demandas do mundo moderno. Desta necessidade de se criar meios mais práticos e compatíveis com o crescimento populacional, chegam em nossas casas o gás de cozinha. De lá pra cá as coisas tem se tornado cada vez mais compactadas ao ponto de hoje ser possível carregarmos em uma simples mochila de caminhada fogareiros e cartuchos de gás ou combustível líquido.

Inauguramos nossa série Em Detalhes trazendo informações detalhadas e testes práticos sobre fogareiros portáteis comercializados no mercado nacional. Vamos tratar de assuntos como durabilidade real dos combustíveis, poder de aquecimento, medidas e pesos além de outros assuntos que fazem parte deste contexto. Estas publicações têm como objetivo ajudar nossos leitores a fazer uma boa escolha quando forem comprar seus primeiros fogareiros ou trocarem por um modelo novo. É sempre bom lembrar que não existe “o melhor” fogareiro do mundo, tudo depende de uma série de parâmetros que devem ser traçados pelo próprio aventureiro baseado nas necessidades de sua expedição.

Para te ajudar nesta tarefa montamos uma pequena lista com 7 perguntas básicas que costumamos fazer antes de comprar qualquer tipo de equipamento.

  • Quanto posso gastar?
  • Com qual frequência irei utilizar este equipamento?
  • Onde irei utilizar este equipamento?
  • Peso e tamanho são fundamentais?
  • Este equipamento já foi utilizado e testado por outras pessoas?
  • Sua manipulação e manutenção são simples?
  • Qual é a facilidade de encontrar peças de reposição ou suprimentos para este equipamento?

Pois bem, já falamos um pouquinho da história da culinária e sua importância para a humanidade e também apresentamos a essência de nossa série Em Detalhes. Agora vamos o que interessa, mãos a obra!


Ficha Técnica

Equipamento: Fogareiro a Gás (Compacto)
Fabricante:  Azteq
Modelo: Spark
Ano: 2016
Peso: 98 gramas
Preço: $$$ (Ref: Min: $ |  Max: $$$$$)
Compatibilidade de Gás: Cartuchos do tipo TekGas (Nautika) e Climber (Guepardo)
Onde Comprar: Mercadinho da Bici – Cicloturismo e Aventura



Quem é Azteq?

Azteq é um fabricante nacional de equipamentos para aventura que está no mercado desde o ano de 2000. Embora seja uma marca brasileira, a grande maioria de seus produtos são fabricados fora do país. A Azteq é conhecida por seus equipamentos técnicos para acampamento.
Alguns de seus produtos são:  Barraca Nepal | Colchonetes Autoinfláveis Ziggy e Ruby | Fogareiro Spark | Travesseiro Looper | Barraca MiniPack | Talheres Jamboree


Quadro Técnico

BluePrint Spark Azteq


Fogareiro Spark da Azteq em Ação

Quanto tempo dura um cartucho de gás funcionando com o fogareiro Spark da Azteq?

Esta é sem dúvida a pergunta recordista quando o assunto é autonomia de um fogareiro portátil.  A reposta para esta pergunta também merece medalha de ouro na frequência em que ela aparece na internet e em lojas especializadas em venda de artigos para aventura.

Segundo o fabricante a autonomia do fogareiro X é de aproximadamente Y/Z  horas.

Será mesmo que todos os fabricantes testam a autonomia de seus fogareiros, ou ainda, será que podemos confiar nas informações repassadas pelos distribuidores?

Podemos dizer que existem dois parâmetros essenciais para se traçar a autonomia e eficiência de um fogareiro portátil.

  • Quanto tempo dura um cartucho de gás com o fogareiro operando em potência mínima e  máxima;
  • Quanto tempo leva para aquecer 500ml de água até a temperatura de 100°C com o fogareiro operando também em potência mínima e máxima

Isto é o que vamos ver nesta série que busca por detalhes mais fiéis dos equipamentos para aventura comercializados aqui no Brasil.


Condições do Experimento

Cartucho de Gás Usado no Experimento: Climber da Guepardo
Altitude Local: 660 metros acima do nível do mar
Temperatura Ambiente: 29°C
Temperatura Ambiente da Água: 30°C
Potência de Operação: Mínima (Fogo Baixo) / Máxima (Fogo Alto)


AUTONOMIA DO FOGAREIRO SPARK DA AZTEQ

Realizamos este teste de maneira bem simples. Marcamos em uma balança de precisão quantos gramas de combustível foram consumidos pelo fogareiro no tempo de cinco minutos, ou seja, trezentos segundos. Sabemos que em média um cartucho de gás Climber da Guepardo ou TekGas da Nautika pesa 370 gramas (com o refil). Baseado nesta informação de peso e no que restou de gás após cada tempo de teste, chegamos a seguinte conclusão.

Infográfico Spark Azteq


GALERIA DE IMAGENS


CONTRIBUIÇÕES

Os testes deste fogareiro foram feitos em condições favoráveis, ou seja,  sem a interferência de vento ou temperaturas extremas. O amigo cicloturista Leonardo Felizardo nos alertou sobre a alteração de consumo na presença de vento. O vento além de mudar o foco das chamas do fogareiro também trabalha na função de acelerar a dissipação de calor na panela. Portanto, procure sempre um lugar abrigado para cozinhar. Na ausência, improvise uma barreira para que o vento não comprometa o seu trabalho na “cozinha”.

2 comentários
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2 comentários

Rubens novembro 7, 2016 em 5:52 pm

Excelente!
Além das questões técnicas que são tão importantes, gostei também da contextualização histórica sobre o ato cozinhar.
Parabéns!

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Eduardo Lemos
Eduardo Lemos novembro 7, 2016 em 6:46 pm

Rubens, que bom que achou legal a contextualização histórica do ato de cozinhar.
Muito obrigado pelo comentário e elogio.:D

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